Ciranda de bibliotecas

A Releitura participou nesta segunda (31/08) da primeira atividade de formação para o Projeto Ciranda. O projeto é fruto de uma parceria entre a ONG Mirim Brasil, Centro de Cultura Luiz Freire e Releitura.O objetivo é a criação de bibliotecas comunitárias em três comunidades da Região Metropolitana do Recife: Ibura, Arruda e Rosa Selvagem. Nesta terça, representantes destas três comunidades estiveram no Centro Luiz Freire, em Olinda, para participar de uma troca de experiências e compartilhamento de saberes com bibliotecas comunitárias da rede.

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Dez anos tecendo essa rede…

A Releitura está se organizando para sistematizar as experiências acumuladas pela rede em dez anos para poder compartilhá-las. A iniciativa se insere no Programa Prazer em Ler (PPL), do Instituto C&A, e acontece em todo o Brasil. Aqui, em Pernambuco, a Releitura tem um diferencial: é pioneira entre as redes de bibliotecas comunitárias do país e anterior ao próprio programa do Instituto C&A. Essa semana, o pessoal das várias bibliotecas que compõem a rede se reuniram em um Círculo de Cultura, para lembrar a trajetória e elencar conquistas, desafios e aprendizagens.

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A experiência do Lercon

Março foi um mês de grande movimentação na REleitura. Tivemos nosso 1º Encontro de Formação, participamos do I Lercon – Congresso de Leitura e Contação de Histórias de Pernambuco, tudo na penúltima semana do mês, além das ações nas bibliotecas e ações em rede. Para fechar com chave de ouro, iniciamos, sexta última, nosso curso de formação sobre mediação de leitura em parceria com o CEEL – Centro de Estudos em Educação e Linguagem, no Centro de Educação da UFPE. Mas isso é assunto para outra postagem.

Hoje, vamos recuperar o que vivenciamos no Lercon, inciativa da HMF Assessoria Pedagógica, que aconteceu dias 22 e 23 de março, no Centro de Convenções de Olinda – leia matéria anterior. Faremos isso, também, com a ajuda de depoimentos de alguns coordenadores e mediadores das oito bibliotecas que participaram do evento, além do coordenador-Geral, Gabriel Santana. Todas as oito bibliotecas que compõem nossa Rede se fizeram presentes – cortesia dos organizadores, que a partir de uma articulação em rede foi possível a participação das bibliotecas comunitárias que integram a Releitura, que mais uma vez agradecemos.

A abertura, na noite da quinta, 23, deixou um gosto de magia no ar. Afinal, somos mediadores de leitura, e nos encantamos com o desempenho dos contadores de histórias.  Ainda que o foco dos painéis, debates e alguns minicursos tenha sido bibliotecas escolares, as palestras, tanto do primeiro, como do segundo dia, seguramente, enriqueceram nossos conhecimentos. Quando não pela certeza de que nosso trabalho faz diferença na vida das crianças, das pessoas das comunidades onde atuamos em prol do acesso à literatura.  E a literatura, ensina a pedagoga Ester Caland, professora do Ceel/UFPE, uma das palestrantes do Lercon “ajuda a gente a significar”.

“O centro é as pessoas que querem realizar coisas através da escrita”, escreveu Bazerman, em citação trazida pela professora  Alessandra Cardoso, do Rio Grande do Norte. Ousamos dizer que a leitura é o primeiro passo. E, como bem disse a mestra potiguar , “a leitura que muda pressupõe diálogo com textos significativos e o apoio de um mediador sensível”.

Se a biblioteca é lugar da cultura letrada, de conservação da memória histórica, contribuímos para que o acesso ao espaço sagrado da palavra deixe de ser restrito aos iluminados, para ser lugar de interação: “Está acontecendo. Há um movimento do povo querendo se apropriar desse espaço, transformando-o em ponto de reivindicação, de construção propositiva. É isso que fazem as bibliotecas comunitárias e a discussão da rede perpassa todos os fóruns de leitura”, observa a professora Carmem Lúcia Bandeira, que ministrou o mini-curso sobre Bibliotecas.

Vamos à reflexão do nosso pessoal, em ordem alfabética, sobre o que ficou do Lercon:

Fábio Rogério,  coordenador da Biblioteca Comunitária Amigos da Leitura:

O que eu levo do LERCON, posso dizer que é Ler  Com. Foi uma abertura excelente, mas, no dia seguinte, uma preocupação me surgiu: uma disputa ou uma angústia em torno (ou pela volta?) das professoras reintegradas nas Bibliotecas Escolares, com suas preocupações em olhar para fora. Sabemos das dificuldades de espaços que sejam voltados para a leitura, que há séculos é tratada com descaso pelos que detêm o poder, quando é um bem, um direito. Precisamos, sim, olhar para dentro, para a nossa missão como formadores, educadores, e fazer das dificuldades a nossa maior arma, mostrando que a formação de leitores críticos pode mudar essa situação. Levo a certeza que LER COM PRAZER é bem melhor.

Gabriel Santana – Coordenador-geral da REleitura:

“Estes espaços são importantes para formação de mediadores de leitura, professores que atuam com projetos de inventivo a leitura literária, coordenadores das bibliotecas comunitárias, porque pode vir a ampliar as referências em literatura e o conhecimento sobre textos e metodologias. Portanto, o LERCON se configura como este espaço.

Para mim foi interessante poder ver um pouco do universo da leitura e literatura em Pernambuco, mas acho que ficou um Congresso muito restrito as experiências escolares com literatura, e percebi um quadro muito preocupante do lugar da literatura na escola e na vida dos professores/as. Acho que, para um Congresso que se diz PERNAMBUCANO, poderia, sim, ampliar a discussão para além dos muros da escola. Será que as experiências não se articulam?

A maior novidade, pra mim, foi a palestra do Rogério Andrade Barbosa (escritor, autor de mais de 40 livros), sua fala com relação a produção da literatura africana, a importância para o imaginário brasileiro estar sempre em contato com esta literatura. Mas, me veio uma pergunta:  que contatos Rogério ainda mantém com alguns países africanos? Será que ele dá algum retorno? Tipo, pega as histórias e aí? Só ganha dinheiro com elas? Pra mim não ficou muito claro…”

Ilma Martins, mediadora de leitura da Biblioteca Comunitária Cepoma:

Foi muito rico. Tanto na parte da contação de histórias, como nas palestras e oficinas. Gostei muito. Foi uma ótima oportunidade de aprendizado.

Maria Betânia, coordenadora da Biblioteca Popular do Coque:

Gostei muito da abertura, foi mágico. Fiquei encantada com os contadores de histórias com suas histórias de vida, com a técnica de como contar um drama, uma comédia. As palestras, também, foram enriquecedoras, apesar de muito centrada nas escolas, nada de bibliotecas comunitárias. Agora, acho que deveria ter escolhido outro minicurso; o de Bibliotecas não fez muita diferença. 

Rayane Oliveira, mediadora de leitura da Biblioteca Comunitária Caranguejo Tabaiares:

Gostei muito de ter participado do Lercon. Foi uma experiência maravilhosa. A abertura foi diferente e instigante, me deixou bem curiosa para assistir a continuação do evento. Gostei muito das histórias contadas e as palestras foram bem elaboradas e esclarecedoras. Adorei, principalmente, o minicurso “contos de raízes africanas”, que me ajudará e muito em um projeto que eu estou desenvolvendo e pretendo aplicar na biblioteca.
Com certeza essa experiência me ajudará na minha função de mediadora de leitura e contação de história na biblioteca. Espero que outro evento como esse aconteça ano que vem.

Selma Monteiro, mediadora de leitura da Biblioteca Comunitária Os Bravistas – Shekiná:

O primeiro dia foi ótimo, contação de histórias: Gustavo pontes foi magnífico; você viaja no jeito dele, é um encanto. O segundo dia, vou ser sincera, não gostei. Principalmente, achei o minicurso, Bibliotecas, muito repetitivo.Talvez devesse ter escolhido outro tema…